SOLDADO ISRAELENSE INVESTIGADO PELA JUSTIÇA BRASILEIRA DEIXA O PAÍS
O soldado israelense Yuval Vagdani, de 21 anos, investigado pela Polícia Federal por crimes de guerra na Faixa de Gaza, deixou o país neste domingo (05/1), acompanhado por um representante da Embaixada de Israel em Brasília.
A conduta de Vagdani na guerra passou a ser apurada depois de a organização internacional defensora dos direitos dos palestinos Hind Rajab Foundation (HRF) ingressar formalmente com um pedido de investigação. Ele é acusado de ter participado de demolições massivas de residências civis em Gaza.

Reservista israelense investigado pela Justiça brasileira deixou o país neste domingo
O militar viajava pela Bahia quando foi alertado por um amigo sobre a investigação, de acordo com seu pai, que falou ao jornal israelense Hareetz. Assim que soube da denúncia, Vagdani decidiu deixar o Brasil por conta própria, segundo autoridades da Embaixada de Israel.
A denúncia da HRF se baseia em fotos, vídeos e dados de geolocalização. O israelense foi identificado pela organização, durante a guerra, depois de publicar um vídeo no Instagram com imagens do Corredor de Netzarim, antes das demolições. Em outro vídeo, ele grava uma explosão controlada, em que se ouve o som de soldados rindo ao fundo.
O pedido da HRF foi acolhido em 30/12/2024 pela juíza Raquel Soares Chiarelli, 15ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Distrito Federal. Dyab Abou Jahjah, presidente da HRF, destacou que este é o primeiro caso em que um Estado signatário do Estatuto de Roma aplica diretamente suas disposições sem recorrer ao Tribunal Penal Internacional (TPI).
A denúncia da HRF alega que há risco de fuga e de possível destruição de provas.
O Brasil não foi o único Estado provocado. Outros oito soldados que viajavam por Chipre, Eslovênia e Holanda tiveram que deixar os países imediatamente por conta das investigações, de acordo com agências internacionais de notícias.
Em nota, a Embaixada de Israel afirmou que a HRF “representa uma organização estrangeira e está explorando de forma cínica os sistemas legais para fomentar uma narrativa anti-Israel tanto globalmente quanto no Brasil, apesar de saber plenamente que as alegações carecem de qualquer fundamento legal”.
“Israel está comprometido em facilitar e garantir a transferência de ajuda humanitária para Gaza. Essa ajuda é entregue diretamente através das fronteiras de Israel, em coordenação com as autoridades relevantes”, diz o texto.
A notícia-crime impetrada na Justiça Federal do DF foi assinada pelos advogados Caio Patricio de Almeida e Maira Machado Frota Pinheiro.